05/05/2012

VI ENCONTRO DE BLOGUES FOI EM VIDE, O VII SERÁ EM CABEÇA (a 1.ª aldeia LED de Portugal)

O VI Encontro de Blogues na Serra da Estrela foi um sucesso.

A visita começou em Casal do Rei onde o Dr. João Orlindo autentico conhecedor dos temas tratados nos começou por mostrar um lagar de azeite pertencente ao Parque Natural da Serra da Estrela o qual se encontra praticamente intacto com todos os engenhos necessários em bom estado no entanto chama-se a atenção para o telhado o qual deve ser arranjado pois corre o risco de ruir com o tempo devido ao desgaste dos caibros.

É uma relíquia que ali se encontra no Casal do Rei envolta de uma paisagem natural única. Ao lado encontra-se um moinho de rodizio também ele recuperado e mantido pelos habitantes que se interessam por manter vivas as tradições ancestrais. Ainda no Casal do Rei visitámos e tomámos café na sede da Comissão de melhoramentos. Dali seguimos destino rumo a Vide onde fizemos uma visita guiada pela parte mais antiga da localidade e onde nos foi explicado pelo Dr. João Orlindo certos pormenores arquitetónicos ali existentes. Também em Vide visitámos um lagar de azeite, visualizámos alguns aspectos e pormenores da construção das casas de xisto, ficámos a saber até que havia escadarias á saída das casas construídas por forma a dali mesmo se poderem montar os cavalos.

Ainda em Vide visitámos um moinho recuperado e mantido por alguns carolas da população, moinho que se encontra em pleno funcionamento. Por volta da uma da tarde fomos então almoçar ao restaurante Guarda Rios na Barriosa situado junto ao Poço da Broca local onde se vê uma cascata de água de uma beleza única e impar na nossa região como se pode atestar pelas fotografias e pelo vídeo do encontro de blogues feito pelo Sr. Manuel Dias.

Compareceram a este encontro o Sr. Manuel Dias a quem coube a organização, Dr. João Orlindo o guia desta visita pela Freguesia de Vide a quem muito se agradece pela forma voluntária como partilhou os seus conhecimentos, o Carlos Moura fotógrafo profissional, o Nuno Pinheiro outro amante da fotografia e da cultura local, José Pinto autor do blogue da Freguesia de Cabeça dono de uma escrita particular, única e de alto nível literário, também ele amante das tradições ancestrais, João Freire o secretário da Junta de Freguesia de Vide que registou fotograficamente todos os momentos, e já á hora de almoço juntaram-se ao grupo a Dos Prazeres Santos, Maria da Conceição Reis e Zezita Maria, todas a residir na Barriosa localidade onde foi servido o almoço pelo Restaurante Guarda-Rios.

No final do almoço o anfitrião deste ano o Sr. Manuel Dias tomou da palavra para anunciar o próximo encontro tendo decidido que desta vez caberia a organização ao Sr. José Pinto autor do blogue da Cabeça, a 1.ª Freguesia LED em Portugal que está a ser alvo de uma requalificação fora de série e que merece ser visitada por qualquer turista que goste da natureza, das tradições e das gentes beirãs.











Através do encontro de blogues
Fui informado deste evento
Disse cá para mim
Tenho que estar presente
Quando recebi o convite
Para neste encontro participar
Pensei: Que vou dizer?
Para este povo homenagear.
Para poder falar e pedir
As gerações vindouras
Que parecem feitas a gás
Pois esta nova juventude
Toda a diferença faz
Eles que não vão deixar
Estas aldeias serem esquecidas
Delas darão que falar
E as nossas tradições, levar.

04/05/2012

Participantes no VI Encontro de Blogues na Freguesia de Vide , Serra da Estrela

Lagar de azeite - Penha Garcia (Beira Baixa)

Porque amanhã no VI Encontro de Blogues na Serra da Estrela vamos visitar um lagar de azeite em Casal do Rei fica aqui um video que demonstra como se faz o azeite, neste caso no ultimo lagar a funcionar em Penha Garcia (Beira Baixa)
Durante muitos anos, vários lagares produziram azeite na aldeia... Este foi o último a produzi-lo... Em dezembro de 1988 registei, provavelmente, a sua última atividade. Uma boa parte das personagens desta pequena reportagem - já partiram para outras dimensões da consciência... Este filme, para além de ilustrar o duro trabalho que aí se fazia, - pretende, antes demais, ser uma singela homenagem aos homens e mulheres desta aldeia que, ao longo dos anos, cultivaram a terra, produziram alimentos, construiram casas, famílias... sofreram e cantaram...
JManteigas

VI Encontro de blogues na Serra da Estrela é já AMANHÃ

É já amanhã o grande dia, o encontro dos blogues, para além de um grande convívio, esta equipa vai lançar para os quatro cantos do mundo o que há de mais belo na Freguesia de Vide, para o ano será outra região a ser divulgada e destacada nas redes online.

02/05/2012

Estive no Pingo Doce, paguei 50% e sobrevivi!

Hoje certamente ainda muito se falará sobre a promoção do 1º de Maio de 2012 feita pelo Pingo Doce. Há várias abordagens possíveis, incluindo a política, mas vou-me centrar na leitura económica. No final deste post, descrevo brevemente a minha “saga” numa loja Pingo Doce. A principal questão económica que surge é como vender com 50% de desconto pode ser feito sem ser venda com prejuízo, e nesse caso não deveria a empresa ser sancionada por vender com prejuízo? Se a empresa tem margens de 50% para não ser venda com prejuízo, então não deveria baixar os preços nos restantes dias do ano? ou terá conseguido um acordo com fornecedores para baixar os preços desta forma num único dia?

Primeiro, embora não conheça os detalhes da operação do Pingo Doce, as alternativas de o Pingo Doce ter margens superiores a 50% em todos os produtos que beneficiam do desconto, ou sequer em alguns deles num volume substancial para que não tenham prejuízo nas vendas, não parece uma hipótese razoável.

Do mesmo modo, é improvável que os fornecedores tenham feito descontos de forma a tornar possível esta promoção.

Fiquemos então com a venda com prejuízo, que muita gente já se apressou a comentar e a “decidir” como motivo para sanção da empresa. Aliás, a tendência legalista portuguesa é tal que não só vão existir leituras literais (e provavelmente adulteradas) da lei, como se vai pedir legislação específica para impedir promoções de um dia (aposto que alguém vai pedir…).

Mas vamos à substância, e ainda no campo legal – vender com prejuízo é apenas um problema a ser tratado em sede de defesa da concorrência se preencher diversos critérios:

a) a empresa em causa tem que ter posição dominante num mercado relevante (por isto, entende-se que nos diversos mercados de actuação da empresa, tem que possuir peso suficiente para se poder comportar de forma relativamente livre da concorrência que defronta)

b) o espirito de sancionar venda abaixo de custo é impedir a sua utilização como instrumento predatório – isto é, só é um problema se fizer parte de uma estratégia prolongada de forçar concorrentes a sair do mercado, para depois poder explorar a sua posição dominante através de preços mais elevados no futuro (daí a importância do ponto anterior)

c) para além de objectivos predatórios sobre a concorrência, se alterar a dinâmica concorrencial dos mercados, poderá ser também prejudicial aos consumidores e à economia e dever ser penalizada (por exemplo, e sendo ainda mais técnico, se esta venda com prejuízo corresponder a uma “punição” de concorrentes por se terem “ameaçado” entrar numa guerra de preços – seria um aviso para que não sejam muito agressivos, ou então…)

No fundo, o teste final é saber se os consumidores sairão prejudicados, num prazo de tempo razoável, por esta promoção, para avaliar se tem efeitos anti-concorrenciais que justifiquem uma intervenção das autoridades económicas.

A meu ver, e apesar de ser contra-corrente das opiniões que têm sido expressas, não creio que levante qualquer problema concorrencial. Foi uma promoção esporádica, num dia, que deu notoriedade à empresa. Não é esta promoção que coloca concorrentes fora do mercado. Não é esta promoção que garante uma fidelização profunda dos consumidores. Não é esta promoção que dá a possibilidade da Jerónimo Martins praticar preços mais elevados no futuro.

Onde pode residir alguma dúvida é sobre se faz parte de uma estratégia de “aviso” aos concorrentes, aspecto que é normalmente muito difícil de comprovar. Terá que se ver se face a campanhas de descontos de outros distribuidores, voltam a existir promoções deste género, ou se as campanhas de descontos dos concorrentes registam uma inversão depois deste 1º de Maio a 50%.

Em termos de funcionamento do mercado, campanhas de descontos que obriguem a compras repetidas ou descontos que resultem de “compras conjuntas”, por obrigarem a uma menor mobilidade dos consumidores entre concorrentes são potencialmente mais lesivas do funcionamento do mercado (podem não criar problemas, mas justificam mais uma avaliação por parte das autoridades económicas do que esta campanha de um dia).

Há ainda uma distinção adicional – noutras situações de venda com prejuízo de grandes superfícies de distribuição a retalho, a venda com prejuízo nuns produtos pode ser usada como “isco” para os consumidores uma vez na loja comprarem outros produtos que têm margens mais compensadoras, o que em média se traduziria numa margem média positiva para os retalhistas, e até eventualmente num preço médio do cabaz adquirido mais elevado para o consumidor. Essa questão não se coloca aqui, uma vez que o desconto incide sobre todos os produtos.

Fica então a pergunta de porquê ter gerado tanto incómodo esta promoção?

Uma primeira resposta é política – houve uma intenção deliberada de fazer do 1º de Maio um dia de trabalho ou de consumo, mas não de celebração. E sobre intenções de um lado e de outro sobre esta visão política não me pronuncio. Claro que esta leitura política poderia ter sido evitada se a promoção tivesse tido noutro dia.

Uma segunda resposta é social – há uma vontade de ver com maus olhos tudo o que as grandes empresas façam, e no caso do Pingo Doce ainda estará na memória a mudança da sede para a Holanda.

A terceira resposta é que temos um “paternalismo” atroz e gostaríamos que estas empresas decidissem da forma que achamos correcta – “há liberdade de escolha desde que coincida com a minha visão”

Podem existir outras respostas. Não pretendi ser exaustivo.

Peço apenas que se pensem em duas situações alternativas, e que reacção se teria sobre elas:

- imaginemos que o Pingo Doce pegava no dinheiro todo que lhe custou esta campanha (na presunção de que sacrificou alguma margem), e em vez de baixar os preços atribuía subsídios publicitários aos cinco principais clubes de futebol do país. Gastava o mesmo, mas não seria criticado (talvez até fosse louvado). Mas os consumidores não beneficiavam directamente da utilização destas verbas!

- imaginemos que o Pingo Doce pegava no dinheiro todo que lhe custou esta campanha (na presunção de que sacrificou alguma margem) e oferecia a instituições de solidariedade social. Certamente não seria crucificado como está a ser, e até seria mostrado como exemplo de responsabilidade social. Mas porque é essa a única forma de ajudar os outros e não através de descontos? (independentemente das nossas preferências, não devemos aceitar as visões diferentes dos outros, desde que não tenham outros efeitos negativos?)

Ou seja, descontando o incómodo político do dia escolhido para a promoção, a visão à partida negativa sobre tudo o que as grandes empresas façam, e a imposição das preferências individuais sobre as acções dos outros, e não havendo, até prova em contrário, um efeito negativo sobre os consumidores desta promoção, o que fica?

Talvez as imagens de prateleiras vazias, e muita gente a tentar entrar para aproveitar; talvez os relatos de esperas de horas para ter um carrinho para entrar no supermercado, e depois as várias horas de espera para pagar; talvez a falta de civismo entre consumidores?!

E como prometido no início, aqui vai a minha “saga” no dia de ontem. Vivendo a curta distância de um Pingo Doce, que utilizo para as compras regulares, não havia razão para não aproveitar a ideia. Cheguei ao dito cerca das 10h00, muita gente, mas sem restrições de entrada, não havia carrinhos disponíveis mas deu para utilizar os “trolleys” mais pequenos. Estando cheio era difícil circular, mas não impossível. Quem pagava e deixava o supermercado avisava da disponibilidade de carrinho ou dos “trolleys” (vi várias pessoas fazerem isso). As zonas de talho e peixaria estavam bastante cheias, nem me aproximei. Compras regulares do mês: detergentes de limpeza, cereais de pequeno almoço, azeite, massas, arroz, alguns enlatados, etc…

Filas para pagar maiores que o habitual, com a estratégia portuguesa tradicional a ser seguida por muita gente – um fica na fila para pagar, outro anda para trás e para a frente a encher os carrinhos até ser momento de pagar – demorou talvez 20 a 30 min para se despachar esta parte, e às 11h15 estava já fora, e com pagamento por metade.

Ainda me passou pela cabeça que se calhar nem tudo estava incluído na promoção – injustiça da minha parte, o que paguei foi exactamente metade do valor registado.

Depois pensei – vai-se a ver e aumentaram os preços para que o desconto de 50% não seja mesmo 50% sobre o preço habitual. Felizmente, como tinha recibos de outras compras em dias anteriores, deu para ir ver alguns produtos – o preço era o mesmo na maioria, nuns subia uns dois cêntimos, noutros era mais baixo uns dois cêntimos, nada de significativo. Na verdade, não verifiquei todos os produtos, mas apenas os de compra mais habitual e de maior valor. Mas fiquei razoavelmente convencido de que não houve ajustamento especial de preços para este dia.

Tudo junto, estive no Pingo Doce a 1 de Maio, poupei 50% e sobrevivi para contar!!

por: Pedro Pita Barros

Pingo Doce, 1 de Maio de 2012


O que se passou com o Pingo Doce só vem provar que afinal as margens de lucro desta cadeia são imensas. Como se podem vender todos os produtos a menos 50% e ainda assim terem lucro? Já viram o quanto nos mexem no bolso?

24/04/2012

Gabriell atira-se ao Sr. Padre


o senhor padre recusa dizer a missa num espectaculo do gabriell em balocas concelho de seia, e o gabriell dedica essa musica ao senhor padre

22/04/2012

22 de Abril DIA DA TERRA


O Dia da Terra foi criado pelo senador americano Gaylord Nelson, no dia 22 de Abril de 1970.Tem por finalidade criar uma consciência comum aos problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger a Terra. Acrescenta á tua consciência estas imagens maravilhosas em HD sobre o nosso planeta e reforça as tuas práticas em favor do ambiente.

18/04/2012

No ano em que se comemora o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações o Municipio de Gouveia proporcionou hoje uma tarde de cinema para os idosos das IPSS´s do Concelho


No ano em que se comemora Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações o Municipio de Gouveia proporcionou hoje uma tarde de cinema para os idosos das IPSS´s do Concelho. O filme que passou no Teatro-Cine foi o LANIFICIOS.DOC. Nas centenas de participantes que hoje tiveram a oportunidade de recordar os seus tempos de juventude destaca-se uma idosa de nome D.Patrocinia que nos seus 101 anos de idade não deixou de querer ir ver o filme ao cinema e no final ainda me disse que gostou muito do que viu, lembrou outros tempos e acima de tudo o marido que foi tecelão. É por estas razões e por outras palavras ditas por quem trabalhou efectivamente nesta industria como foi o caso desta centena e meia de idosos que hoje viram o filme que me fazem fazer ainda mais e melhor. Ao Municipio de Gouveia, á comunicação social de Gouveia o meu muito obrigado pela oportunidade de poder passar o filme no cinema pois hoje foi muito importante não só para mim mas também para esta juventude que saíu das Instituições para virem ao cinema ter um dia diferente.
A FOTO-REPORTAGEM é de Aristides Ferreira (Figueiró da Serra)















17/04/2012

‎"OS ULTIMOS MOINHOS" em Festival de cinema em BOSTON


‎"OS ULTIMOS MOINHOS" em Festival de cinema em BOSTON no próximo mês de Maio. Sendo o objectivo do Festival Português de Boston promover e celebrar a cultura e património de Portugal nos Estados Unidos, consideramos que o seu filme se enquadra nas suas características. Acompanhe todos os pormenores através do site: http://www.bostonportuguesefestival.org/

13/04/2012

Lã em tempo real

Há 30 anos que a população portuguesa está a envelhecer

Segundos dados do INE/Pordata, há trinta anos que em Portugal o nível de nascimentos deixou de ser suficiente para assegurar a reposição da população, uma vez que desde o início da década de 1980 que a média de filhos por mulher é inferior aos 2,1 (em 2010 era inferior aos 1,5).Nos anos mais recentes, o número de nados-vivos de mães residentes em Portugal tem-se situado em torno dos 100 mil, o que representa uma quebra para dois terços do registado no início da década de 1980 e metade do número dos anos 1960.

Filhos em idade mais avançada

As mulheres têm filhos em idade mais avançada, num período em que os seus níveis de fertilidade já são mais baixos, o que reduz a probabilidade de terem muitos filhos. Outra mudança estrutural é o aumento do número de filhos fora do casamento. Atualmente mais de 2 em cada 5 nascimentos são de filhos de pais oficialmente não casados (o dobro do que se verificava em finais dos anos de 1990). Para lá do envelhecimento, em anos recentes verificou-se também a diminuição da população, pois em 2007, 2009 e 2010 o número de nascimentos foi ultrapassado pelo das mortes. Entre os indicadores positivos, surgem a diminuição da maternidade precoce, da mortalidade infantil e materna e contributo dos imigrantes para atenuar os baixos níveis de natalidade dos portugueses.

Como estão a renascer os moinhos em Portugal?

Nos anos 60 do século XX mais de 11 mil moinhos operavam comercialmente em Portugal. Hoje, os poucos que subsistem servem novos propósitos. Á conversa com Jorge Miranda, membro da direcção da Rede Portuguesa de Moinhos, ficamos a perceber o estado destas estruturas seculares. O património molinológico, depois de décadas de abandono, parece agora recuperar. Vale a boa vontade de umas quantas entidades que vêem nos antigos moinhos modelos de desenvolvimento rural, com uma nova função social e económica. Uma conversa que se espraia para a etnotecnologia, para a figura do moleiro, para o projecto Etnoideias.

Café Portugal - Foquemo-nos, em inicio de conversa, numa questão pertinente: como têm, genericamente, os portugueses tratado o seu património molinológico?
Jorge Miranda - Existem muitos moinhos em Portugal. Se quisermos olhar para a realidade de uma forma absoluta, há muito poucos moinhos reconstruídos, ou em funcionamento. Mas se quisermos ter uma perspectiva relativa, nos últimos 15 anos, tem havido uma grande evolução, com muitas intervenções de preservação. A Comissão Portuguesa de Moagens e Ferragens, que foi em tempos a entidade reguladora, fez em 1962 um inventário nacional para efeitos fiscais. Nessa altura contabilizou cerca de 11 mil moinhos, a funcionar industrialmente, pagando impostos. Esse inventário, se fosse hoje feito, ficava reduzido a umas dezenas, a funcionar para efeitos comerciais.

C.P. - Qual é, então, o estado em geral dos moinhos em Portugal?
J.M. - A degradação dos moinhos afecta mais umas regiões do que outras. As regiões metropolitanas de Lisboa e Porto, por exemplo, têm cuidado muito mais os seus moinhos do que outras regiões. O litoral, no geral, tem prestado mais atenção aos seus moinhos do que o interior. Isso também se liga com a fixação de pessoas e a distribuição de riqueza. De uma maneira geral, os municípios são das entidades que mais fazem pelos moinhos e pelo património. A preservação do património molinológico distribuí-se desta forma, litoral, centros urbanos, e algumas manchas no interior quem têm uma excelente dinâmica, porque têm boas políticas de gestão do território e desenvolvimento local.

C.P.- De Norte a Sul, incluindo as ilhas, os moinhos foram-se adaptando a especificidades regionais. Pode-nos, sucintamente, fazer uma radiografia dessas adaptações que, no fundo, reflectem princípios tecnológicos complexos.
J.M. - Existem três tipos de moinhos: moinhos a sangue, moinhos de água e moinhos de vento. Os moinhos a sangue são os moinhos movidos a força animal que, praticamente, desapareceram.
Dentro dos moinhos de água, os moinhos de maré, estão no litoral e no estuário dos grandes rios. Os moinhos de rio praticamente já não existem. Eram moinhos com grandes rodas verticais que aproveitavam o caudal dos rios e que estavam associados a indústrias.
As azenhas de copos, são também moinhos de água compostos por umas rodas verticais com uns copos pequeninos e não funcionam com a corrente.
Os moinhos de vento estão sobretudo no litoral. Há raros exemplares no interior.

C.P.- Um termo que ouvimos associado à molinologia é a a etnotecnologia. Pode explicar?
J.M. - A ciência que estuda a tecnologia associada aos moinhos, a etnotecnologia, tem formas próprias de abordar esses conhecimentos. É um ramo da antropologia que olha para as técnicas, para o produto do trabalho das pessoas, não de uma forma meramente material, física e funcional. Mas também de uma forma imaterial, ou seja, envolvendo neste conceito o saber fazer e as técnicas. Os moinhos são factos técnicos; são materializações num lugar do encontro entre possibilidades locais e necessidades humanas. Não é possível estudar um moinho sem estudar toda a sua envolvente. Por exemplo, se hoje se quiser recuperar um moinho de água não se pode ter em conta só o edifício mas também toda a rede hidráulica, que entretanto entrou em falência porque não há regadio, não há manutenção da floresta. Muitos destes moinhos ao serem recuperados reabilitam todo um sistema. É a revitalização de sistemas inteligentes e ecológicos de gestão do território. Essa tecnologia era considerada de ponta quando falamos do século XVIII e ensinada, inclusivamente, nas universidades da altura. Esta tecnologia existe, está-se a perder a componente empírica. A fileira moinhos está interrompida, mas é possível dizer que o mastro faz aquele senhor que faz barcos, a roda dentada vai fazer aquele senhor que faz carroças. E desta maneira ir mantendo essa tecnologia.

C.P.- Os moinhos encontram, hoje em dia, uma sociedade muito diferente daquela onde desenvolveram a sua função social e económica. Como podem continuar a servir as populações?
J.M. - Hoje os moinhos podem ter vários tipos de utilização. Em grandes cidades como Porto e Lisboa é possível fazer boas acções de requalificação urbana e criação de espaços verdes, áreas de descompressão, associadas a programas mistos de lazer e educação. Nas cidades é possível a criação de projectos para a ligação de três gerações diferentes. Pode-se também fomentar a relação intercultural. Por exemplo no moinho de maré do Montijo, há dois anos atrás, no dia aberto dos moinhos, propus uma actividade para juntar duas salas de uma escola sendo que uma destas tinha vários alunos emigrantes. O objectivo foi a troca entre os alunos do bolo de milho típico do Montijo e o bolo típico de África. Este tipo de actividades utiliza o moinho como um pretexto para construir relações, criar laços entre pessoas. Mas também cria laços territoriais, porque a actividade passa-se num sítio e tem a ver com identidade cultural de uma zona. Ajuda a criar uma relação de interactividade entre as pessoa associando fazendo uma ancoragem ao território.

C.P.- E do ponto de vista do desenvolvimento rural?
J.M.- Do ponto de vista do desenvolvimento rural os moinhos servem duas outras possibilidades: qualificar o território, para o recuperar e valorizar. Quando o moinho é construído a propriedade vale mais. Por exemplo, quando se arranja um moinho de água e este é posto a funcionar, todo o sistema a montante é arranjado, limpo e mantido. Quando isso acontece a floresta é mantida, as águas são aproveitadas com mais eficácia. Há toda uma reacção em cadeia que tende a ser aproveitada do ponto de vista educativo. Há potencialmente a criação de um certo turismo educativo e de lazer que se destina às populações em idade escolar e à terceira idade, faixas etárias que ajudam à sustentabilidade destes projectos. Leva-se as pessoas a visitar e a despender dinheiro em sítios onde antes não iam. Em Aboim, por exemplo, um projecto começou por implicar a reconstrução do moinho, acabando por transformar a escola desactivada num museu. Está muito mais gente a ir lá. Vai, entretanto, surgir um restaurante na aldeia. Aquele terra que passou a estar no mapa, porquê? Porque os moinhos são altamente competitivos. Um monte que tenha um moinho em ruínas é mais competitivo do que um monte que não tem nada. Se esse moinho não tiver em ruínas é ainda mais competitivo, porque as pessoas vão visitá-lo. Se tiver as velas abertas e se estas tiverem a rodar é mais ainda. As pessoas passam na estrada, vêem algo a rodar e são atraídos pela curiosidade. Ainda no exemplo de Aboim, foi criado um conjunto de percursos, há muito dinâmica da junta de freguesia e apoio da câmara.
Activámos ao nível da micro-escala pequenas economias que, podendo não parecer muito, são complementares à subsistência de determinado local, constituindo num incentivo para não despovoar aldeias inteiras, que de outra forma vão desaparecer.

C.P.- Pode-nos dar mais alguns bons exemplos de recuperação ou manutenção dos moinhos?
J.M.- O município de Boticas criou um parque com percursos e dezenas de moinhos recuperados, e existem de norte a sul do país vários outros bons exemplos de recuperação e manutenção, em Viana do castelo, Oliveira de Azeméis onde foi criado uma área de lazer enorme que envolve duas aldeias. Em Penacova há alguns moinhos interessantes. Entre muitos outros no sul do país.

C.P.- O que é feito da figura do moleiro? Actualmente existe algum incentivo para se ser moleiro e para a transmissão de saberes?

J.M.- O ofício do moleiro, inserido nas moagens, é diferente do ofício de construtor de moinhos.
Há alguns gestos que estão quase em extinção, relacionados com as mós de pedra e com o picar destas e trabalhá-las. Mas, digamos que é uma parte do ofício que é facilmente recuperável porque está devidamente estuda e publicada. Nós, Etnoideia, a Rede Portuguesa de Moinhos, fazemos acções para manter os moinhos abertos e a funcionar, para que estes gestos se vão fazendo, pois sendo elementares têm, todavia, saberes e truques. A figura do moleiro concebido com este sistema antigo vai desaparecer. Já organizámos dois cursos, um no Algarve com a Associação de Desenvolvimento da Costa Vicentina, para animadores de moinho de vento. O participante no curso já seria capaz de fazer funcionar um moinho de vento, fazer construir estas tais relações entre grupos e ser capaz de atender turistas. É preciso integrar todas estas competências e não se concentrar tanto na produção da farinha, porque essa farinha já não é competitiva. Não quero com isto dizer que os moleiros em si se vão extinguir, vão é adaptar-se aos novos tempos. Assim como os moinhos para não se extinguirem mantêm-se como eram e adaptam-se aos novos tempos.

C.P. -Já a Etnoideia tem um conceito que vai mais além, propondo a reconstruir dos moinhos e «património rural integrado em processos de desenvolvimento sustentável»…
J.M.
- A Etnoideia é uma empresa de desenvolvimento local, que olha para os moinhos de uma forma holística. Começou por ser uma súmula de projectos feitos por pessoas, muito em torno de mim, pois havia um conjunto de pressão e confiança depositado para que fossemos nós a construir os moinhos. Dos projectos passou-se a uma cooperativa e como esta não podia fazer um conjunto de coisas, porque estávamos limitados ao objecto social, resolvemos então avançar para uma empresa, funcionando nessa área numa óptica de mercado.
A Etnoideia, nos seus projectos, para além da sustentabilidade e da responsabilidade ambiental, canaliza uma parte dos seus resultados para a Rede Portuguesa de Moinhos, nas publicações e outras acções. Financia também as despesas da Sociedade Internacional de Molinogia em Portugal. No fundo são os moinhos que pagam os moinhos. Os nossos projectos envolvem toda a fileira, ajudamos a desenvolver o conceito, ajudamos a desenvolver o modelo de negócio e produzimos de chave na mão a totalidade das peças, desde o levantamento no terreno, à reconstrução do moinho, ao material pedagógico aos sites. E trabalhamos de perto com as comunidades onde os moinhos são reconstruídos.

Carla Santos

03/04/2012

"A Comarca de Arganil" digitalizada desde 1901 a 2009

Numa feliz iniciativa da Câmara Municipal de Arganil, todas as edições de A Comarca de 1901 até 2009, foram digitalizadas e, colocadas na internet para quem quiser consultar. Quem se interessa pela região em geral e pelas nossas aldeias em particular, pode, sem sair de casa, conhecer tudo que se publicou neste jornal centenário.

O sítio do Município de Arganil é este: http://acomarcadearganil.cm-arganil.pt

Por: A. Madeira

02/04/2012

Moinhos portugueses - Forças do desenvolvimento rural

Eles foram durante gerações elemento intrínseco à paisagem portuguesa, às economias locais. Água, vento, força animal moviam milhares de moinhos de Norte a Sul do país. Estruturas assentes numa tecnologia arcaica, embora eficiente e engenhosa. Hoje são espaços de acolhimento aos turistas, centros de interpretação da realidade molinológica, espaços de entendimento do meio em que se inserem. Os moinhos podem ser aliados do desenvolvimento rural, com uma nova função social e económica. Isto num século XXI que parece fadado a render-se a formas de energia mais «limpas».

30/03/2012

EXPOSIÇÃO sobre os 112 anos de existência de cinema em Seia

O Município de Seia através do Arquivo Municipal, assinala os 112 anos de existência de cinema em Seia.
Esta é uma oportunidade para vermos cartazes dos filmes exibidos nas diferentes salas de cinema em Seia, respetivos bilhetes de entrada, fotografias, documentos do então Ministério do Interior de Salazar que através da Inspeção-geral de Espetáculos orientava o modus operandi d'época.
Cronologicamente esta exposição vai de 1910 a 1984. A primeira data está ligada ao primeiro registo documental da existência de uma sala cinematográfica em Seia, na Rua da Caínha e a segunda com a sessão inaugurativa do atual Cine-teatro Jardim.
A exposição contempla ainda objetos do pré-cinema e cinema e imagens alusivas às suas Divas.

Entrada livre
Organização: Município de Seia; Coleção: Rui Veloso; Colaboração: Município de Leiria, através do Museu da Imagem e Multimédia e Município de Melgaço, através do Museu de Cinema

Horário: De segunda a sexta-feira: das 10 H às 18 Horas e Domingos das 15 H às 17 Horas

23/03/2012

entrevista conduzida por Sara Pelicano para o site CAFÉ PORTUGAL

Serra da Estrela - «O encerramento das fábricas de lanifícios ditou a morte da região»

Há 50 anos, na região da Serra da Estrela prosperava a indústria dos lanifícios. «Respirava-se tranquilidade ao nível de empregos e de futuro», diz Luís Silva, autor do documentário «Lanifícios.doc». Hoje, o cenário captado pela câmara de Luís é diferente: fábricas abandonadas, máquinas obsoletas e uma região deprimida, onde a pouca indústria que subsiste é «assolada» pelos produtos asiáticos que entram no país a preços baixíssimos.

Sara Pelicano; Fotos - Lanifícios.doc | sexta-feira, 23 de Março de 2012

21/03/2012

LANIFICIOS.DOC no cafeportugal.net

Brevemente estará on line a entrevista mais recente que dei sobre o documentário LANIFICIOS.DOC. Desta vez ao site Café Portugal net. A entrevista poderá ser lida aqui: http://cafeportugal.net/

Convidado para ir a Lisboa falar no painel sobre "meios de comunicação regional, municipios e municipes, património e as gentes"

Oradores convidados:

Santinho Pacheco (Ex-Presidente da Camara de Gouveia e ex- Governador Civil da Guarda)

Chaves Rosa (Ex- Presidente da Assembleia Municipal de Gouveia)

Carlos Peixoto ( Deputado na Assembleia da Republica – circulo da Guarda)

Hercilio Ribeiro (Director do jornal Noticias de Gouveia)

Nuno Santos (CM Gouveia, editor da revista Municipal de Gouveia)

Luis Silva (Realizador de documentários)

20/03/2012

Museu do Pão já recebeu 1 milhão de visitantes

20 de Março de 2012 por Tiago da Cunha Esteves

O Museu do Pão, em Seia, já recebeu um milhão de visitantes desde Setembro de 2002, data da sua inauguração.

O visitante número 1.000.000 entrou esta tarde, recebendo como oferta o Roteiro do Museu e um cabaz da mercearia do Museu”, pode ler-se, numa nota divulgada.

O Museu do Pão, que este ano celebra o seu 10º aniversário, tem mais de 3.500 m2 de área coberta e quatro salas expositivas que pretendem exibir e recriar as várias vertentes do pão português. São elas “O Ciclo do Pão” – onde se reconstituem as 14 etapas essenciais do ciclo tradicional do pão português; “O Pão Político, Social e Religioso” – nesta sala reconstitui-se a história do pão em Portugal, desde a Restauração da Independência (1640) até à Restauração da Democracia (1974); “A Arte do Pão”- aqui se expõem uma série de objetos que têm inspiração no pão, suas alfaias, tradições e labores; e a “Sala Pedagógica – O Mundo Fantástico do Pão” – um espaço dedicado ao público infanto juvenil, de aprendizagem e lazer.

O Museu do Pão tem ainda um restaurante, um bar-biblioteca, uma mercearia antiga e o atelier de Arte em Pão.

18/03/2012

«Comboio Noturno para Lisboa» reúne estrelas internacionais em rodagem na capital

A rodagem de «Comboio Noturno para Lisboa», dirigido pelo dinamarquês Bille August, decorre a partir de segunda-feira e prolonga-se pelas próximas oito semanas em locais da capital portuguesa, em Caxias (Oeiras) e em Palmela.

O investimento total será de oito milhões de euros, quatro milhões dos quais irão ser gastos em Lisboa, numa coprodução entre Portugal, Alemanha e Suíça, em cuja capital decorreram, ao longo de quatro dias, as únicas filmagens da obra fora de Portugal. «Comboio Noturno para Lisboa» irá estrear no início do próximo ano e terá distribuição a nível mundial, foi anunciado pela produtora Ana Costa.

A produção do filme, que é a adaptação de um romance do escritor suíço Pascal Mercier, vai envolver uma equipa de 75 pessoas, na sua maioria portugueses, para contar a história de um professor de Latim de Berna que, nos anos 1960, chega a Lisboa para descobrir mais sobre Amadeu de Prado, médico-escritor e aristocrata português opositor ao regime ditatorial que então vigorava no país.

O principal papel está a cargo do ator inglês Jeremy Irons, que volta a trabalhar em Portugal, como recordou hoje no encontro com os jornalistas, 19 anos depois de ter estado no país para rodar «A Casa dos Espíritos», também dirigido por Bille August e baseado no romance homónimo da chilena Isabel Allende.

Irons disse que se trata de uma «história de descoberta, mistério e aventura».

Os atores Nicolau Breyner e Beatriz Batarda são alguns do portugueses que também fazem parte do elenco, que conta ainda com a representação de Melanie Laurent (França), Jack Huston e Tom Courtenay (Reino Unido), August Diehl (Alemanha) e Bruno Ganz (Suiça), entre outros.

Ana Costa, da produtora Cinemate, disse que «Comboio Noturno para Lisboa» vai ser o filme que contará com o maior apoio financeiro do fundo europeu Eurimages, cujo valor não especificou.

Salientou também o investimento, no atual contexto de crise, que o filme vai trazer a Lisboa, onde injetará quatro milhões de euros durante o período das filmagens.

O Município lisboeta consta entre os patrocinadores da obra, tal como o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA). Já o Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA) não deu qualquer contributo financeiro, apesar de ter subscrito um contrato nesse sentido, falha que Ana Costa atribuiu ao facto de aquela instituição estar «paralisada» desde 2008.

Esse investimento faria ainda mais sentido por o filme ter já assegurada a exibição no estrangeiro, a cargo da distribuidora alemã K5. Em Portugal esse papel será assumido pela ZON Audiovisuais.

@Lusa

03/03/2012

Uma visita pela Freguesia de Alvoco da Serra

Caminhos pela História e pela Natureza

Alvoco da Serra -- coração da serra da Estrela, topo de Portugal
Alvoco da Serra, freguesia do concelho de Seia, na vertente sudoeste da serra da Estrela, é a localidade mais próxima da Torre.
Terra de montanha e de pastoreio, de floresta, de milheirais em socalcos.
Horizontes amplos e ares sadios do planalto da Torre e das cumeadas de Alvoaça.
Águas límpidas e cascatas, parte das quais correm num vale de origem glaciar.
Calçadas, casas, pontes e árvores seculares, marcas misteriosas sobre as pe-dras.
Alvoco da Serra terra de património e de gente que sabe acolher.
Alvoco da Serra freguesia a descobrir e a desfrutar.