15/05/2012
14/05/2012
ECOTURISMO - I
Aldeias de Portugal - I
13/05/2012
E se de repente o mundo ficasse sem petróleo?
12/05/2012
Concurso a melhor fotografia do encontro de blogues na Serra da Estrela 2012
09/05/2012
CONVITE

08/05/2012
07/05/2012
José Pinto é o próximo "mordomo" a organizar o encontro de blogues na Serra da Estrela
Com uma forma de escrita única, com uma cultura excepcional e um pensamento brilhante, José Pinto dá vida ao blogue da Freguesia de Cabeça que pode ser visitado, lido e seguido através do seguinte link: http://cabecaweb.blogspot.pt/Cabe ao Sr. José Pinto a organização do VII Encontro de Blogues na Serra da Estrela que irá á imagem do encontro deste ano ser também um enorme êxito de promoção do património cultural, ambiental e turístico das nossas Freguesias e do nosso Concelho. Afinal estes encontros são aquilo que o turista procura na nossa região, ou seja, ter um guia que saiba do que está a falar e que saiba informar o que estamos a ver, nos leve a caminhar entre a natureza mais bela que existe na nossa Serra e nos condecore com a gastronomia própria de cada localidade, pois o resto (fotografias e videos para divulgação) cabe ao visitante. No final o resultado só pode ser um: um convívio interessante e culturalmente são.
Veja a reportagem sobre a VI edição do encontro em: http://www.cabecaweb.blogspot.pt
...ainda o VI Encontro de Blogues na Serra da Estrela
06/05/2012
POÇO DA BROCA uma grande maravilha de Seia, Portugal
05/05/2012
VI ENCONTRO DE BLOGUES FOI EM VIDE, O VII SERÁ EM CABEÇA (a 1.ª aldeia LED de Portugal)
A visita começou em Casal do Rei onde o Dr. João Orlindo autentico conhecedor dos temas tratados nos começou por mostrar um lagar de azeite pertencente ao Parque Natural da Serra da Estrela o qual se encontra praticamente intacto com todos os engenhos necessários em bom estado no entanto chama-se a atenção para o telhado o qual deve ser arranjado pois corre o risco de ruir com o tempo devido ao desgaste dos caibros.
É uma relíquia que ali se encontra no Casal do Rei envolta de uma paisagem natural única. Ao lado encontra-se um moinho de rodizio também ele recuperado e mantido pelos habitantes que se interessam por manter vivas as tradições ancestrais. Ainda no Casal do Rei visitámos e tomámos café na sede da Comissão de melhoramentos. Dali seguimos destino rumo a Vide onde fizemos uma visita guiada pela parte mais antiga da localidade e onde nos foi explicado pelo Dr. João Orlindo certos pormenores arquitetónicos ali existentes. Também em Vide visitámos um lagar de azeite, visualizámos alguns aspectos e pormenores da construção das casas de xisto, ficámos a saber até que havia escadarias á saída das casas construídas por forma a dali mesmo se poderem montar os cavalos.
Ainda em Vide visitámos um moinho recuperado e mantido por alguns carolas da população, moinho que se encontra em pleno funcionamento. Por volta da uma da tarde fomos então almoçar ao restaurante Guarda Rios na Barriosa situado junto ao Poço da Broca local onde se vê uma cascata de água de uma beleza única e impar na nossa região como se pode atestar pelas fotografias e pelo vídeo do encontro de blogues feito pelo Sr. Manuel Dias.
No final do almoço o anfitrião deste ano o Sr. Manuel Dias tomou da palavra para anunciar o próximo encontro tendo decidido que desta vez caberia a organização ao Sr. José Pinto autor do blogue da Cabeça, a 1.ª Freguesia LED em Portugal que está a ser alvo de uma requalificação fora de série e que merece ser visitada por qualquer turista que goste da natureza, das tradições e das gentes beirãs.
04/05/2012
Lagar de azeite - Penha Garcia (Beira Baixa)
JManteigas
VI Encontro de blogues na Serra da Estrela é já AMANHÃ
02/05/2012
Estive no Pingo Doce, paguei 50% e sobrevivi!
Hoje certamente ainda muito se falará sobre a promoção do 1º de Maio de 2012 feita pelo Pingo Doce. Há várias abordagens possíveis, incluindo a política, mas vou-me centrar na leitura económica. No final deste post, descrevo brevemente a minha “saga” numa loja Pingo Doce. A principal questão económica que surge é como vender com 50% de desconto pode ser feito sem ser venda com prejuízo, e nesse caso não deveria a empresa ser sancionada por vender com prejuízo? Se a empresa tem margens de 50% para não ser venda com prejuízo, então não deveria baixar os preços nos restantes dias do ano? ou terá conseguido um acordo com fornecedores para baixar os preços desta forma num único dia?
Primeiro, embora não conheça os detalhes da operação do Pingo Doce, as alternativas de o Pingo Doce ter margens superiores a 50% em todos os produtos que beneficiam do desconto, ou sequer em alguns deles num volume substancial para que não tenham prejuízo nas vendas, não parece uma hipótese razoável.
Do mesmo modo, é improvável que os fornecedores tenham feito descontos de forma a tornar possível esta promoção.
Fiquemos então com a venda com prejuízo, que muita gente já se apressou a comentar e a “decidir” como motivo para sanção da empresa. Aliás, a tendência legalista portuguesa é tal que não só vão existir leituras literais (e provavelmente adulteradas) da lei, como se vai pedir legislação específica para impedir promoções de um dia (aposto que alguém vai pedir…).
Mas vamos à substância, e ainda no campo legal – vender com prejuízo é apenas um problema a ser tratado em sede de defesa da concorrência se preencher diversos critérios:
a) a empresa em causa tem que ter posição dominante num mercado relevante (por isto, entende-se que nos diversos mercados de actuação da empresa, tem que possuir peso suficiente para se poder comportar de forma relativamente livre da concorrência que defronta)
b) o espirito de sancionar venda abaixo de custo é impedir a sua utilização como instrumento predatório – isto é, só é um problema se fizer parte de uma estratégia prolongada de forçar concorrentes a sair do mercado, para depois poder explorar a sua posição dominante através de preços mais elevados no futuro (daí a importância do ponto anterior)
c) para além de objectivos predatórios sobre a concorrência, se alterar a dinâmica concorrencial dos mercados, poderá ser também prejudicial aos consumidores e à economia e dever ser penalizada (por exemplo, e sendo ainda mais técnico, se esta venda com prejuízo corresponder a uma “punição” de concorrentes por se terem “ameaçado” entrar numa guerra de preços – seria um aviso para que não sejam muito agressivos, ou então…)
No fundo, o teste final é saber se os consumidores sairão prejudicados, num prazo de tempo razoável, por esta promoção, para avaliar se tem efeitos anti-concorrenciais que justifiquem uma intervenção das autoridades económicas.
A meu ver, e apesar de ser contra-corrente das opiniões que têm sido expressas, não creio que levante qualquer problema concorrencial. Foi uma promoção esporádica, num dia, que deu notoriedade à empresa. Não é esta promoção que coloca concorrentes fora do mercado. Não é esta promoção que garante uma fidelização profunda dos consumidores. Não é esta promoção que dá a possibilidade da Jerónimo Martins praticar preços mais elevados no futuro.
Onde pode residir alguma dúvida é sobre se faz parte de uma estratégia de “aviso” aos concorrentes, aspecto que é normalmente muito difícil de comprovar. Terá que se ver se face a campanhas de descontos de outros distribuidores, voltam a existir promoções deste género, ou se as campanhas de descontos dos concorrentes registam uma inversão depois deste 1º de Maio a 50%.
Em termos de funcionamento do mercado, campanhas de descontos que obriguem a compras repetidas ou descontos que resultem de “compras conjuntas”, por obrigarem a uma menor mobilidade dos consumidores entre concorrentes são potencialmente mais lesivas do funcionamento do mercado (podem não criar problemas, mas justificam mais uma avaliação por parte das autoridades económicas do que esta campanha de um dia).
Há ainda uma distinção adicional – noutras situações de venda com prejuízo de grandes superfícies de distribuição a retalho, a venda com prejuízo nuns produtos pode ser usada como “isco” para os consumidores uma vez na loja comprarem outros produtos que têm margens mais compensadoras, o que em média se traduziria numa margem média positiva para os retalhistas, e até eventualmente num preço médio do cabaz adquirido mais elevado para o consumidor. Essa questão não se coloca aqui, uma vez que o desconto incide sobre todos os produtos.
Fica então a pergunta de porquê ter gerado tanto incómodo esta promoção?
Uma primeira resposta é política – houve uma intenção deliberada de fazer do 1º de Maio um dia de trabalho ou de consumo, mas não de celebração. E sobre intenções de um lado e de outro sobre esta visão política não me pronuncio. Claro que esta leitura política poderia ter sido evitada se a promoção tivesse tido noutro dia.
Uma segunda resposta é social – há uma vontade de ver com maus olhos tudo o que as grandes empresas façam, e no caso do Pingo Doce ainda estará na memória a mudança da sede para a Holanda.
A terceira resposta é que temos um “paternalismo” atroz e gostaríamos que estas empresas decidissem da forma que achamos correcta – “há liberdade de escolha desde que coincida com a minha visão”
Podem existir outras respostas. Não pretendi ser exaustivo.
Peço apenas que se pensem em duas situações alternativas, e que reacção se teria sobre elas:
- imaginemos que o Pingo Doce pegava no dinheiro todo que lhe custou esta campanha (na presunção de que sacrificou alguma margem), e em vez de baixar os preços atribuía subsídios publicitários aos cinco principais clubes de futebol do país. Gastava o mesmo, mas não seria criticado (talvez até fosse louvado). Mas os consumidores não beneficiavam directamente da utilização destas verbas!
- imaginemos que o Pingo Doce pegava no dinheiro todo que lhe custou esta campanha (na presunção de que sacrificou alguma margem) e oferecia a instituições de solidariedade social. Certamente não seria crucificado como está a ser, e até seria mostrado como exemplo de responsabilidade social. Mas porque é essa a única forma de ajudar os outros e não através de descontos? (independentemente das nossas preferências, não devemos aceitar as visões diferentes dos outros, desde que não tenham outros efeitos negativos?)
Ou seja, descontando o incómodo político do dia escolhido para a promoção, a visão à partida negativa sobre tudo o que as grandes empresas façam, e a imposição das preferências individuais sobre as acções dos outros, e não havendo, até prova em contrário, um efeito negativo sobre os consumidores desta promoção, o que fica?
Talvez as imagens de prateleiras vazias, e muita gente a tentar entrar para aproveitar; talvez os relatos de esperas de horas para ter um carrinho para entrar no supermercado, e depois as várias horas de espera para pagar; talvez a falta de civismo entre consumidores?!
E como prometido no início, aqui vai a minha “saga” no dia de ontem. Vivendo a curta distância de um Pingo Doce, que utilizo para as compras regulares, não havia razão para não aproveitar a ideia. Cheguei ao dito cerca das 10h00, muita gente, mas sem restrições de entrada, não havia carrinhos disponíveis mas deu para utilizar os “trolleys” mais pequenos. Estando cheio era difícil circular, mas não impossível. Quem pagava e deixava o supermercado avisava da disponibilidade de carrinho ou dos “trolleys” (vi várias pessoas fazerem isso). As zonas de talho e peixaria estavam bastante cheias, nem me aproximei. Compras regulares do mês: detergentes de limpeza, cereais de pequeno almoço, azeite, massas, arroz, alguns enlatados, etc…
Filas para pagar maiores que o habitual, com a estratégia portuguesa tradicional a ser seguida por muita gente – um fica na fila para pagar, outro anda para trás e para a frente a encher os carrinhos até ser momento de pagar – demorou talvez 20 a 30 min para se despachar esta parte, e às 11h15 estava já fora, e com pagamento por metade.
Ainda me passou pela cabeça que se calhar nem tudo estava incluído na promoção – injustiça da minha parte, o que paguei foi exactamente metade do valor registado.
Depois pensei – vai-se a ver e aumentaram os preços para que o desconto de 50% não seja mesmo 50% sobre o preço habitual. Felizmente, como tinha recibos de outras compras em dias anteriores, deu para ir ver alguns produtos – o preço era o mesmo na maioria, nuns subia uns dois cêntimos, noutros era mais baixo uns dois cêntimos, nada de significativo. Na verdade, não verifiquei todos os produtos, mas apenas os de compra mais habitual e de maior valor. Mas fiquei razoavelmente convencido de que não houve ajustamento especial de preços para este dia.
Tudo junto, estive no Pingo Doce a 1 de Maio, poupei 50% e sobrevivi para contar!!
por: Pedro Pita Barros
Pingo Doce, 1 de Maio de 2012
30/04/2012
VI Encontro de blogues na Serra da Estrela é já dia 5 de Maio
24/04/2012
Gabriell atira-se ao Sr. Padre
o senhor padre recusa dizer a missa num espectaculo do gabriell em balocas concelho de seia, e o gabriell dedica essa musica ao senhor padre
22/04/2012
22 de Abril DIA DA TERRA
18/04/2012
No ano em que se comemora o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações o Municipio de Gouveia proporcionou hoje uma tarde de cinema para os idosos das IPSS´s do Concelho
17/04/2012
"OS ULTIMOS MOINHOS" em Festival de cinema em BOSTON
15/04/2012
13/04/2012
Há 30 anos que a população portuguesa está a envelhecer
Segundos dados do INE/Pordata, há trinta anos que em Portugal o nível de nascimentos deixou de ser suficiente para assegurar a reposição da população, uma vez que desde o início da década de 1980 que a média de filhos por mulher é inferior aos 2,1 (em 2010 era inferior aos 1,5).Nos anos mais recentes, o número de nados-vivos de mães residentes em Portugal tem-se situado em torno dos 100 mil, o que representa uma quebra para dois terços do registado no início da década de 1980 e metade do número dos anos 1960.
Filhos em idade mais avançada
As mulheres têm filhos em idade mais avançada, num período em que os seus níveis de fertilidade já são mais baixos, o que reduz a probabilidade de terem muitos filhos. Outra mudança estrutural é o aumento do número de filhos fora do casamento. Atualmente mais de 2 em cada 5 nascimentos são de filhos de pais oficialmente não casados (o dobro do que se verificava em finais dos anos de 1990). Para lá do envelhecimento, em anos recentes verificou-se também a diminuição da população, pois em 2007, 2009 e 2010 o número de nascimentos foi ultrapassado pelo das mortes. Entre os indicadores positivos, surgem a diminuição da maternidade precoce, da mortalidade infantil e materna e contributo dos imigrantes para atenuar os baixos níveis de natalidade dos portugueses.
Como estão a renascer os moinhos em Portugal?
artigos relacionados (5) Nos anos 60 do século XX mais de 11 mil moinhos operavam comercialmente em Portugal. Hoje, os poucos que subsistem servem novos propósitos. Á conversa com Jorge Miranda, membro da direcção da Rede Portuguesa de Moinhos, ficamos a perceber o estado destas estruturas seculares. O património molinológico, depois de décadas de abandono, parece agora recuperar. Vale a boa vontade de umas quantas entidades que vêem nos antigos moinhos modelos de desenvolvimento rural, com uma nova função social e económica. Uma conversa que se espraia para a etnotecnologia, para a figura do moleiro, para o projecto Etnoideias.Café Portugal - Foquemo-nos, em inicio de conversa, numa questão pertinente: como têm, genericamente, os portugueses tratado o seu património molinológico? Jorge Miranda - Existem muitos moinhos em Portugal. Se quisermos olhar para a realidade de uma forma absoluta, há muito poucos moinhos reconstruídos, ou em funcionamento. Mas se quisermos ter uma perspectiva relativa, nos últimos 15 anos, tem havido uma grande evolução, com muitas intervenções de preservação. A Comissão Portuguesa de Moagens e Ferragens, que foi em tempos a entidade reguladora, fez em 1962 um inventário nacional para efeitos fiscais. Nessa altura contabilizou cerca de 11 mil moinhos, a funcionar industrialmente, pagando impostos. Esse inventário, se fosse hoje feito, ficava reduzido a umas dezenas, a funcionar para efeitos comerciais. C.P. - Qual é, então, o estado em geral dos moinhos em Portugal? J.M. - A degradação dos moinhos afecta mais umas regiões do que outras. As regiões metropolitanas de Lisboa e Porto, por exemplo, têm cuidado muito mais os seus moinhos do que outras regiões. O litoral, no geral, tem prestado mais atenção aos seus moinhos do que o interior. Isso também se liga com a fixação de pessoas e a distribuição de riqueza. De uma maneira geral, os municípios são das entidades que mais fazem pelos moinhos e pelo património. A preservação do património molinológico distribuí-se desta forma, litoral, centros urbanos, e algumas manchas no interior quem têm uma excelente dinâmica, porque têm boas políticas de gestão do território e desenvolvimento local. J.M. - Existem três tipos de moinhos: moinhos a sangue, moinhos de água e moinhos de vento. Os moinhos a sangue são os moinhos movidos a força animal que, praticamente, desapareceram. Dentro dos moinhos de água, os moinhos de maré, estão no litoral e no estuário dos grandes rios. Os moinhos de rio praticamente já não existem. Eram moinhos com grandes rodas verticais que aproveitavam o caudal dos rios e que estavam associados a indústrias. As azenhas de copos, são também moinhos de água compostos por umas rodas verticais com uns copos pequeninos e não funcionam com a corrente. Os moinhos de vento estão sobretudo no litoral. Há raros exemplares no interior. C.P.- Um termo que ouvimos associado à molinologia é a a etnotecnologia. Pode explicar? J.M. - A ciência que estuda a tecnologia associada aos moinhos, a etnotecnologia, tem formas próprias de abordar esses conhecimentos. É um ramo da antropologia que olha para as técnicas, para o produto do trabalho das pessoas, não de uma forma meramente material, física e funcional. Mas também de uma forma imaterial, ou seja, envolvendo neste conceito o saber fazer e as técnicas. Os moinhos são factos técnicos; são materializações num lugar do encontro entre possibilidades locais e necessidades humanas. Não é possível estudar um moinho sem estudar toda a sua envolvente. Por exemplo, se hoje se quiser recuperar um moinho de água não se pode ter em conta só o edifício mas também toda a rede hidráulica, que entretanto entrou em falência porque não há regadio, não há manutenção da floresta. Muitos destes moinhos ao serem recuperados reabilitam todo um sistema. É a revitalização de sistemas inteligentes e ecológicos de gestão do território. Essa tecnologia era considerada de ponta quando falamos do século XVIII e ensinada, inclusivamente, nas universidades da altura. Esta tecnologia existe, está-se a perder a componente empírica. A fileira moinhos está interrompida, mas é possível dizer que o mastro faz aquele senhor que faz barcos, a roda dentada vai fazer aquele senhor que faz carroças. E desta maneira ir mantendo essa tecnologia. C.P.- Os moinhos encontram, hoje em dia, uma sociedade muito diferente daquela onde desenvolveram a sua função social e económica. Como podem continuar a servir as populações? J.M. - Hoje os moinhos podem ter vários tipos de utilização. Em grandes cidades como Porto e Lisboa é possível fazer boas acções de requalificação urbana e criação de espaços verdes, áreas de descompressão, associadas a programas mistos de lazer e educação. Nas cidades é possível a criação de projectos para a ligação de três gerações diferentes. Pode-se também fomentar a relação intercultural. Por exemplo no moinho de maré do Montijo, há dois anos atrás, no dia aberto dos moinhos, propus uma actividade para juntar duas salas de uma escola sendo que uma destas tinha vários alunos emigrantes. O objectivo foi a troca entre os alunos do bolo de milho típico do Montijo e o bolo típico de África. Este tipo de actividades utiliza o moinho como um pretexto para construir relações, criar laços entre pessoas. Mas também cria laços territoriais, porque a actividade passa-se num sítio e tem a ver com identidade cultural de uma zona. Ajuda a criar uma relação de interactividade entre as pessoa associando fazendo uma ancoragem ao território. C.P.- E do ponto de vista do desenvolvimento rural? J.M.- Do ponto de vista do desenvolvimento rural os moinhos servem duas outras possibilidades: qualificar o território, para o recuperar e valorizar. Quando o moinho é construído a propriedade vale mais. Por exemplo, quando se arranja um moinho de água e este é posto a funcionar, todo o sistema a montante é arranjado, limpo e mantido. Quando isso acontece a floresta é mantida, as águas são aproveitadas com mais eficácia. Há toda uma reacção em cadeia que tende a ser aproveitada do ponto de vista educativo. Há potencialmente a criação de um certo turismo educativo e de lazer que se destina às populações em idade escolar e à terceira idade, faixas etárias que ajudam à sustentabilidade destes projectos. Leva-se as pessoas a visitar e a despender dinheiro em sítios onde antes não iam. Em Aboim, por exemplo, um projecto começou por implicar a reconstrução do moinho, acabando por transformar a escola desactivada num museu. Está muito mais gente a ir lá. Vai, entretanto, surgir um restaurante na aldeia. Aquele terra que passou a estar no mapa, porquê? Porque os moinhos são altamente competitivos. Um monte que tenha um moinho em ruínas é mais competitivo do que um monte que não tem nada. Se esse moinho não tiver em ruínas é ainda mais competitivo, porque as pessoas vão visitá-lo. Se tiver as velas abertas e se estas tiverem a rodar é mais ainda. As pessoas passam na estrada, vêem algo a rodar e são atraídos pela curiosidade. Ainda no exemplo de Aboim, foi criado um conjunto de percursos, há muito dinâmica da junta de freguesia e apoio da câmara. Activámos ao nível da micro-escala pequenas economias que, podendo não parecer muito, são complementares à subsistência de determinado local, constituindo num incentivo para não despovoar aldeias inteiras, que de outra forma vão desaparecer. C.P.- Pode-nos dar mais alguns bons exemplos de recuperação ou manutenção dos moinhos? J.M.- O município de Boticas criou um parque com percursos e dezenas de moinhos recuperados, e existem de norte a sul do país vários outros bons exemplos de recuperação e manutenção, em Viana do castelo, Oliveira de Azeméis onde foi criado uma área de lazer enorme que envolve duas aldeias. Em Penacova há alguns moinhos interessantes. Entre muitos outros no sul do país. C.P.- O que é feito da figura do moleiro? Actualmente existe algum incentivo para se ser moleiro e para a transmissão de saberes? J.M.- O ofício do moleiro, inserido nas moagens, é diferente do ofício de construtor de moinhos. Há alguns gestos que estão quase em extinção, relacionados com as mós de pedra e com o picar destas e trabalhá-las. Mas, digamos que é uma parte do ofício que é facilmente recuperável porque está devidamente estuda e publicada. Nós, Etnoideia, a Rede Portuguesa de Moinhos, fazemos acções para manter os moinhos abertos e a funcionar, para que estes gestos se vão fazendo, pois sendo elementares têm, todavia, saberes e truques. A figura do moleiro concebido com este sistema antigo vai desaparecer. Já organizámos dois cursos, um no Algarve com a Associação de Desenvolvimento da Costa Vicentina, para animadores de moinho de vento. O participante no curso já seria capaz de fazer funcionar um moinho de vento, fazer construir estas tais relações entre grupos e ser capaz de atender turistas. É preciso integrar todas estas competências e não se concentrar tanto na produção da farinha, porque essa farinha já não é competitiva. Não quero com isto dizer que os moleiros em si se vão extinguir, vão é adaptar-se aos novos tempos. Assim como os moinhos para não se extinguirem mantêm-se como eram e adaptam-se aos novos tempos. C.P. -Já a Etnoideia tem um conceito que vai mais além, propondo a reconstruir dos moinhos e «património rural integrado em processos de desenvolvimento sustentável»… J.M. - A Etnoideia é uma empresa de desenvolvimento local, que olha para os moinhos de uma forma holística. Começou por ser uma súmula de projectos feitos por pessoas, muito em torno de mim, pois havia um conjunto de pressão e confiança depositado para que fossemos nós a construir os moinhos. Dos projectos passou-se a uma cooperativa e como esta não podia fazer um conjunto de coisas, porque estávamos limitados ao objecto social, resolvemos então avançar para uma empresa, funcionando nessa área numa óptica de mercado. A Etnoideia, nos seus projectos, para além da sustentabilidade e da responsabilidade ambiental, canaliza uma parte dos seus resultados para a Rede Portuguesa de Moinhos, nas publicações e outras acções. Financia também as despesas da Sociedade Internacional de Molinogia em Portugal. No fundo são os moinhos que pagam os moinhos. Os nossos projectos envolvem toda a fileira, ajudamos a desenvolver o conceito, ajudamos a desenvolver o modelo de negócio e produzimos de chave na mão a totalidade das peças, desde o levantamento no terreno, à reconstrução do moinho, ao material pedagógico aos sites. E trabalhamos de perto com as comunidades onde os moinhos são reconstruídos. Carla Santos |





