29/11/2009

Finalmente, Aristides de Sousa Mendes. Um filme de Francisco Manso

No dia 2 de Abril de 2007, peguei no meu telemovel e filmei as imagens que podemos ver neste pequeno video sobre Aristides de Sousa Mendes. É dos videos que tenho no youtube que mais comentários tem recebido e que mais visualizações tem tido. Agora, Francisco Manso pegou na História deste Bom Homem e decidiu fazer o filme que faltava e é já no próximo ano que vamos ter oportunidade de o ver.

Filme de Francisco Manso, que conta a história daquele que ficou conhecido como "Schindler português", está a terminar as rodagens em Viana do Castelo e tem estreia prevista para o próximo ano em Bruxelas.
À ordem de acção do realizador começa a ouvir-se na sala a voz do actor espanhol Manuel de Blás. Um arrepio corre pela espinha de quem se encontra à sua volta. O local é o lendário e esplendoroso Teatro Sá de Miranda, no centro histórico de Viana do Castelo. É ali que se repetem as várias takes da cena 12, onde Francisco de Almeida, o maestro que se prepara para dirigir um espectáculo, se encontra pela primeira vez com a jovem jornalista Alexandra Schmidt.
A cena faz parte de "O cônsul de Bordéus", uma co-produção da portuguesa Take 2000 com belgas e espanhóis. O filme aborda os feitos de Aristides de Sousa Mendes que, entre finais de Maio e Junho de1940, quando dirigia o consulado português naquela cidade francesa, emitiu em todo o tipo de papel que encontrava cerca de 30mil vistos para judeus que fugiam dos avanços nazis, permitindo-lhe passagem por Portugal para outros destinos mais seguros. Uma acção tremendamente humanitária, num momento de horror para a humanidade e que, feita contra as ordens expressas de Salazar, lhe valeu o fim da carreira, mas também a imortalidade. A mensagem que se transmite para fora, para melhor se compreender a importância deste homem, é de que se trata do "Schindler português". No final de mais um dia de rodagem, o realizador Francisco Manso explica-nos a génese do projecto. "Já é uma admiração antiga, pela coragem que teve de enfrentar um governo autoritário com muito pouca sensibilidade para aquele drama humano. E custou-lhe caro, porque havia da parte do governo de Salazar a famosa Circular 14, que dizia expressamente que não deviam ser passados vistos a apátridas, judeus e outras pessoas com nacionalidades indefinidas." "O cônsul de Bordéus" não é uma biografia tradicional de Aristides de Sousa Mendes, mas uma evocação do período da sua vida que o tornaria famoso. A vertente ficcional permite haver uma montagem paralela com a actualidade, onde alguém recorda como o conheceu. Francisco Manso explica-nos as linhas gerais do argumento: "Há dois miúdos de origem polaca, judeus, que vivem em Antuérpia e que mercê dos avanços do exército nazi acabam por ser enviados pelos pais para Bordéus, onde ficariam em casa de pessoas amigas à espera que eles chegassem". Sendo este o ponto de partida do filme, estas personagens de ficção vão enfim cruzar-se com Aristides e outras figuras que realmente existiram. O realizador continua a descrever-nos a história: "Os dois irmãos chegam a Bordéus, em fuga da Bélgica. A miúda desaparece e o irmão fica na sinagoga com o rabino Kruger e a mulher. Conhece o Sousa Mendes, que o convida lá para casa. É ficção mas podia ser realidade, porque ele convidou uma série de pessoas que estavam naquelas circunstâncias na sinagoga para irem para casa dele, que era enorme, mesmo ao lado do consulado. E ele próprio os conduz para a fronteira. Isso é incrível e é o lado do Aristides que nos interessa contar." Como o jovem protagonista é adoptado por uma família de Viana do Castelo que depois emigra para a Venezuela, e aí acaba por se tornar maestro, regressará já no final da vida à cidade minhota para aí dirigir a Escola de Música, no Teatro Sá de Miranda. Aí, pela mão de uma jovem jornalista que vem acompanhando o seu percurso e pensa saber qual o seu passado, uma surpresa espera-o… Com uma história assim, espera-se que o filme possa ter alguma repercussão também fora de portas. "Já está garantida uma versão dobrada em francês", adianta Francisco Manso. "A Bélgica, tal como a França, soube bem o que foi a ocupação nazi. E acredito plenamente que este filme venha a ter uma versão dobrada em inglês. O mercado americano é extremamente apelativo para um filme deste género. Aristides salvou muito mais gente do que Schindler." A estreia mundial prevê-se que possa ser feita em Bruxelas, no próximo ano, quando se comemorarem os 70 anos dos feitos de Aristides, esperando-se que as autoridades portuguesas estejam presentes ao mais alto nível.
in - jn.pt (ed. 29.11.09)

3 comentários:

Maria da Glória disse...

Aristides de Sousa, ou o Cônsul Desobediente,um Homem que perdurará para sempre na história das nossas memórias. Embora não sendo professora de História sei que parte do programa do 9º ano é sobre a segunda Guerra Mundial...a tentativa de genocídio de toda uma raça judia( e não só) era de todo obrigatório que os professores em aula fizessem uma Homenagem a Aristides de Sousa. Tenho o prazer de dizer que a minha filha 14 anos fez parte da orquestra responsável pela banda sonora do filme e que sente orgulho por ter tido um ponto de partida para querer saber mais sobre este Homem que desafiou Salazar.

Amigos SM disse...

O dia 17-Junho-2010 é o Dia da Consciência, 70 anos depois de Aristides de Sousa Mendes ter tomado a decisão de ajudar toda aquela gente...

Paulo Grilo Grilo disse...

gostava imenso de ver esse filme,procuro já algum tempo por ele,mas infelizmente sem sucesso.se possível podiam me enviar onde o posso encontrar enviando me por mail:rute_miriam_leal@hotmail.com agradeço desde já a vossa resposta. rute miriam