19/11/2011

LANIFÍCIOS (um poema enviado pela Poeta Serrana)

Num esquecido tempo de glória,
Jaz a imagem colorida das mantas de lã...
Aconchego de infinita abundância,
Que a todos satisfazia, que a todos aconchegava...
Do frio e do medo e da incerteza e da desconfiança.
O tempo era de prosperidade,
Era de crescente ascensão e certezas no pão de cada dia.
Concelho de grande labuta industrial,
Servia o rico e o pobre,
Servia o velho e o novo...
Servia o que permanecia e aquele que vinha,
De viagem,
De visita!
Durante tantos e tantos anos...
Os grandes nomes sonoros,
O empresarial dos lanifícios
Que tanto deu de si, a si
Que tanto deu de si, aos outros,
A muitos, a tantos, a todos!
Da noite que se fazia dia,
Nasciam verdadeiras obras de arte...
Verdadeiros alicerces de calor,
Humano, sintético ou pura lã.
Para lá,
Neste teatro vivo de sombras e memórias,
Jazem agora sem cor,
As películas incessantes daqueles que teimam
Ansiosamente não as esquecer.
Aquelas que ficaram na memória
Dos que trabalharam,
Dos que produziram,
Dos que vendiam
E dos que compravam.
Numa lápide sem explicação
Aparece, sem se entender,
Um grande louvor de memória,
À tradição perdida,
Ao trabalho deposto,
Ás lágrimas de um povo que roga,
Pelo trabalho fecundo de uma vida que se extingue.
Um concelho de fervor laboral,
Que morre aos braços daqueles que lhe privaram
O sentido, a justiça, a honra e a tradição Serrana.

Hoje, tocam-se imagens
Desfolham-se revistas
Mas não, nunca mais se voltará a tocar ... a lã!
Não, como outrora foi tocada com o coração de quem a sentiu mover-se-lhe por entre os dedos!

Maria José Figueiredo - A Poeta Serrana

1 comentário:

Paulo V. Pereira disse...

Interessante, sem dúvida!
Abraço.