01/05/2008

Há falta de Lares em Seia. Digo-o eu e a UBI

Após 3 anos a alertar para alguns dados mencionados no estudo agora publicado pela UBI (Universidade da Beira Interior), devo dizer que nada mas mesmo nada me espanta nestas conclusões. Há 2 anos a esta parte o Governo lançou o programa PARES em todo o País, programa esse que visa dotar com fundos financeiros as Instituições que tenham necessidade em criar valências de Lares, Creches e Infantários. Em Seia desde então foram apresentados vários projectos e nenhum até agora foi dotado de verbas para investir na construção e melhoria de instalações. Relativamente a Lares o CLAS (Conselho Local de Acção Social) composto por vários representantes de organizações estatais e privadas do Concelho de Seia, foi o primeiro a concluir e a emitir parecer para o Governo Central no sentido de que o Concelho tem uma rede de cobertura de Lares na ordem dos 200% e por isso mesmo indirectamente deram um sinal que fez afastar os investimentos nesta matéria para o nosso Concelho. Acontece que, hoje temos freguesias no nosso concelho onde existem mais pessoas no lar que nas próprias freguesias. Acontece ainda que, na encosta da Serra temos um número de lares em demasia constrastando com a parte da Ponte de Santiago para lá onde se encontram hoje as 3.ª e 4.ª maiores Freguesias do Concelho que apenas têm 1 único lar para dar resposta a mais de 4000 idosos que residem nas localidades de (Sameice, Travancinha, Pereiro, Figueiredo, Lapa de Tourais, Tourais, Pradinho, Vila Verde, Girabolhos, Santa Comba de Seia, Vila Chã, Carvalhal da Louça, Chaveiral e Vale de Igreja), população para a qual apenas existe o lar de Paranhos para dar resposta o que, evidentemente se verifica regularmente que nunca existem vagas para situações que surjam e careçam deste tipo de resposta social. Este estudo que agora a UBI veio tornar público apesar de tocar nalgumas feridas infelizmente não estabelece uma comparação entre os idosos residentes por regiões e o número de lares de apoio porque se o fizesse, aí sim estava um estudo completo, contudo não deixa de ser positivo e acima de tudo espera-se que seja uma chamada de atenção para o Municipio através do CLAS e para a Segurança Social no sentido de ajudarem a reclamar para estas zonas mais um ou dois equipamentos desta natureza que tanta falta fazem evitando dessa forma que esta gente destas localidades tenha de ir muitas vezes ser institucionalizada para Loriga ou Sazes (como acontece regularmente) contribuindo dessa forma para o afastamento dos idosos dos seus familiares. Afinal os tais 200% de taxa de cobertura até podem existir mas estão é mal distribuidos geograficamente contribuindo dessa forma para o desenraizamento das origens e das familias dos idosos. Outro campo por onde podia entrar nesta análise mas que vou guardar para um futuro próximo é que se o idoso tiver alzheimer ou se estiver numa situação de acamado, então aí é que se torna quase impossivel arranjar uma vaga num lar, mas isto fica para outra leitura. Para já apraz-me dizer que, se hoje há problemas nesta faixa etária um dos maiores que existe em Seia é a falta de vagas nos lares e se há falta de vagas, logicamente é porque há falta de lares.
Deixo-vos na integra os resultados apurados com este estudo nem que seja pelo menos para meditarem sobre isto e para alguns colocarem a mão na consciência e verem o que é que andam a fazer.
Beira Interior
Mais de 6.500 idosos esperam vaga num lar,
segundo um estudo universitário.
O Diagnóstico Social da Beira Interior, um estudo da Universidade da Beira Interior (UBI), aponta ainda falta de investimento na formação dos recursos humanos das mesmas instituições e recomenda que as entidades da região passem a trabalhar de forma articulada, em rede. O trabalho do Centro de Estudos Sociais da UBI abrangeu os concelhos da Guarda, Covilhã, Castelo Branco e Seia e a população idosa foi um dos grupos vulneráveis à exclusão que esteve em análise no estudo. «A investigação permitiu perceber que os tempos, as rotinas, as normas e as regras são ditadas por aqueles que trabalham nas instituições e mediante as suas necessidades, e não em função de quem aí reside», refere o documento. O estudo sublinha a falta de «actividades sócio-culturais que promovam a capacitação dos idosos, estimulem a sua participação e lhes confiram poder de decisão e retardem o aparecimento de doenças e incapacidades». «Muitas são as entidades que se restringem a prestar cuidados básicos de saúde, higiene e alimentação, descurando a importância da existência de actividades de dinamização socio-cultural», destaca o texto. Na análise da institucionalização de idosos, o diagnóstico teve por base grupos de trabalho e entrevistas com os serviços distritais da Segurança Social, redes anti-pobreza e 12 instituições de apoio à terceira idade dos quatro concelhos abrangidos, entre outras entidades. Amélia Augusto, uma das coordenadoras do estudo, sublinha, em declarações à Agência Lusa, que as falhas detectadas gravitam em redor da «desqualificação e homogeneização» da imagem do idoso na sociedade actual, «como se uma pessoa perdesse as suas características próprias ao passar a ser idoso». «É preciso requalificar a imagem dos idosos e acabar com o mito de que são pessoas desqualificadas, que já não sabem o que querem ou mentalmente sem pouco para dizer», destaca. O número limitado de recursos humanos, formação inadequada e pouco especializada e falta de investimento na formação dos recursos humanos são outras das falhas detectadas pelo diagnóstico às instituições de apoio a idosos. «Tal investimento é crucial para que todos os envolvidos tomem consciência de que os idosos institucionalizados são clientes de um serviço e, como tal, deverão usufruir de cuidados que primem pela qualidade e profissionalismo», realça o documento. Por outro lado, há falta de articulação entre as diferentes instituições e entre estas e a comunidade. O diagnóstico sugere que haja mais trabalho conjunto. Com vista a ultrapassar as limitações identificadas em diferentes instituições, os investigadores da Universidade da Beira Interior (UBI) recomendam que as entidades trabalhem em rede, «com troca de recursos (humanos e físicos) e de informação». Segundo Amélia Augusto, «o problema é que não há espaço para os idosos nas famílias modernas. As pessoas têm que sair de casa, têm as suas actividades e a família alargada no sentido antigo», que podia ser a melhor solução para o apoio na terceira idade, «já não é uma possibilidade». O diagnóstico defende por isso o incremento de qualidade da intervenção ao nível dos serviços prestados e das dinâmicas sociais e culturais das próprias instituições. Segundo os dados recolhidos pela UBI, no final de 2007 havia 3.837 idosos em lista de espera para entrarem em lares no concelho de Castelo Branco, 1.274 no concelho da Covilhã, 1.294 no concelho da Guarda e 194 em Seia. O Diagnóstico Social da Beira Interior foi realizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade da Beira Interior (UBI_CES) no âmbito do projecto «Inserções» e para além dos idosos estudou a situação de outros grupos alvo como alcoólicos, emigrantes ou desempregados.
Lusa/SOL

2 comentários:

O Micróbio II disse...

E quem disse primeiro? Tu ou a UBI?

Anónimo disse...

Ontem, um vereador da Camara do Fundão, no aniversário da Academia Sénior do Fundão, disse que os lares em Portugal têm a maior percentagem de camas da Europa, e continuamos a pedir mais lares. Pode ser que os numeros do autarca estejam certos. Contudo, se é verdade, é porque existem outros factores a concorrerem para este facto. Não pode ser que as famílias e os filhos portugueses sejam os mais desalmados da Europa como nos querem fazer crer!