23/03/2006

TODA A VERDADE sobre o Hospital de Seia

Não é com mentiras que se ilude o povo. Ponto final.
As pessoas que escrevem seja em jornais ou na internet sobre assuntos que directamente influenciam a sociedade civil, têm obrigatoriamente de ter em consideração a responsabilidade com que o devem fazer, caso contrário deixará de fazer sentido ser assinante de um qualquer jornal, ou meramente deixará de fazer sentido ler alguns sites na internet, pois correm o risco de se revelarem meras páginas soltas no infinito do universo, às quais ninguém liga nenhuma. Posto isto, a verdade sobre a remodelação que vai acontecer relacionada com o Hospital de Seia, é só uma, ou seja a que se segue:
Quem se relaciona com o povo do qual faço parte, em relação a este assunto as questões que mais se levantam são as seguintes:
1 - Será que temos de ir às urgências a Viseu?
2 - Já não vamos ter Hospital novo?
Estas são as duas principais questões que na realidade incomodam as pessoas, porque afinal estão as duas relacionadas com os verdadeiros interesses da população. Tudo o resto são cantigas.
Relativamente à primeira questão é totalmente falso que para irmos a umas urgências nos teremos de deslocar a Viseu. Ponto final.
Quanto à segunda questão é outra mentira que alguns tentaram sem sucesso, passar para a sociedade civil, porque segundo o conselho de administração do Hospital e o Municipio de Seia, "a Administração Regional de Saúde (ARS) já concluiu o relatório preliminar com a classificação provisória das empresas concorrentes, em função dos parametros fixados em concurso, terminando já na próxima 2.ª feira (27 Março) o prazo para eventuais reclamações". "...o passo seguinte, consiste em tornar o relatório preliminar em definitivo e,caso não haja reclamações, a ARS pode fazer a proposta de adjudicação para ser homologada pela Secretária de Estado da Saúde e remetida para o Tribunal de Contas". "Ao que tudo indica o timing identificado irá ser cumprido, para que até ao final do 1.º semestre deste ano a obra possa ser iniciada". Quanto ao processo de reorganização hospitalar que está em curso, o administrador do hospital de Seia "está convicto de que Seia tem muito a ganhar em recursos humanos, técnicos e materiais, com especial incidência na mão-de-obra". Portanto não faz sentido nenhum vir para a praça pública tentar incendiar a população com títulos escandalosos e cada vez menos crediveis, pois podem levar o povo a pensar erradamente e como se sabe, a mentira tem perna curta...
Agora, o que realmente está para ao que tudo indica, sofrer alterações para melhor, é a criação do Centro Hospitalar Entre Serras que irá permitir que os hospitais de Viseu, Tondela e Seia passem a funcionar em rede com as vantagens que daí advêm para os utentes que desta forma "poderão aceder de modo mais rápido e cómodo a cuidados de saúde indiferenciados", ou seja, vamos ter acesso a mais consultas de especialidades, listas de espera mais curtas e sem termos de nos deslocar 80 km (Coimbra), mas sim 45 Km (Viseu), demorando o percurso de acesso, metade do tempo a fazer do que até então.
Esta é a verdade...

13 comentários:

J.V. disse...

O boato especula, é mais ágil, mais veloz e tem muito mais destreza do que a própria notícia.
Ao pé do boato, a notícia é uma jovem inocente e envergonhada, que não toca sequer a boca dos homens.
O boato é musculado, frequenta os cafés e as mesas dos restaurantes, poisa ao balcão dos bares e entretêm-se a saltitar nas esplanadas, mesmo nas pouco frequentadas.
Todos arrastamos connosco o boato como se ele fizesse parte de nós e até mesmo o visado pelo boato contribui para ele.
É normal que quem conta um boato faz o mesmo que quem conta um conto: acrescenta um ponto. Daqui o sabor que o boato tem quando já percorreu um bom par de milhas e volta ao local de onde partiu, dando voltas e mais voltas.
Vem sempre mais guarnecido, mais saboroso, com novos ingredientes e novos mistérios. Às vezes, o boato inicial já se perdeu e o que surge depois é um novo, quase sempre tão surpreendente quanto o primeiro...

Um abraço

Nuno Almeida disse...

Lamentavelmente Luís, os factos que relatas não asseguram nada.
Basta ver o exemplo do Hospital de Lamego que, estando já adjudicado, foi cancelado.
A fase da adjudicação é a final do concurso, restando apenas, a seguir, a da assinatura do contrato, caso nenhum dos concorrentes impugne judicialmente essa adjudicação e não interponha nenhuma providencia cautelar, caso contrário o processo pode arrastar-se anos nos tribunais sem se construir nada.
Ora em Lamego estava muito mais avançado que o do Hospital de Seia e foi tudo por água abaixo.
Ora, sendo assim, só dá para ficar descansado quando as máquinas começarem o trabalho.
Quanto ao mais, quem tem o dever de informar, com frequência e clareza, é a Câmara e o Hospital, pois eles é que estão no centro do processo do mesmo.
Aliás, se perguntares aos funcionários do hospital o que é que o Conselho de Administração lhes garantiu que de certeza ficava em Seia, eles irão responder-te e verás que, afinal, até eles (CA) não sabem ao certo as consequências da reestruturação.
A transparência é essencial e quem de direito não deu nenhuma informação antes de começar o reacender da discussão, pelo que a mesma teve algum mérito, quanto mais não seja, o de demonstrar que a sociedade está atenta ao evoluir do processo.
Quanto ao mais, vou esperar para ver, mas sempre pergunto:
Se em Seia só se vão fazer pequenas cirurgias, como é que vai conseguir justificar ao Ministro a construção de um bloco operatório de grandes cirurgias?

Anónimo disse...

Números do futuro Centro Hospitalar de Entre Serras:
2155 recursos humanos;
300 médicos;
801 enfermeiros;
16 técnicos de saúde;
139 técnicos de diagnóstico e terapêutica;
252 administrativos;
556 auxiliares de acção médica

HOSPITAL DE SEIA
171 funcionários efectivos

Será de outra dimensão ou não?

Anónimo disse...

HÁ 20 ANOS QUE SEIA QUER FAZER PARTE DE UM CENTRO HOSPITALAR:

"...Porém, há cerca de vinte anos atrás, o cenário entre os dois municípios (Seia e Gouveia)no que dizia respeito à saúde era bem diferente e bem mais pacífico. Ambos defendiam a criação de um Centro Hospitalar no qual inicialmente figurava também Oliveira do Hospital, que mais tarde acabaria por sair da parceria e enveredar para uma unidade saúde privada. E a ideia viria a ser completamente abandonada, numa altura em que já se falava inclusivamente de uma comissão instaladora para o centro. Valeu a instabilidade política em que Portugal mergulhara. «Vivia-se num impasse, hoje há governo amanhã não há...»"

Anónimo disse...

A criação do Centro Hospitalar de Viseu é uma ideia defendida já durante o Governo PSD pelo então ministro da Saúde Luís Filipe Pereira, mas que tem sido adiada por causa da mudança do executivo e também de administrações no hospital de Viseu. Se querem fazer deste problema, uma questão politica entre PS e PSD, então é bom lembrar que foi Luis Filipe Pereira, ministro da saúde num governo do PSD que fez força para que isso viesse a acontecer. Ou não foi?

Nuno Almeida disse...

Se, como diz o CA do Hospital de Seia, este está a negociar a entrada no centro hospitalar de Viseu, pressupõe-se que se dá alguma coisa em troca de algo e esse algo não pode der só o acesso aos serviços de Viseu.
Se na negociação estiver pressuposto que nós perdemos valências que ficam concentradas em Viseu, mas que Viseu nos entrega valências que se concentram aqui, aí há uma contrapartida válida para a negociação, agora se a negociação é perder valências, perder as grandes cirugias, perder o CA e perder autonomia administrativa patrimonial e financeira, ficamos a perder muito mais do que aquilo que ganhamos.
Se a ideia do Ministro Luís Filipe Pereira era esta, de perder, perder, perder, e ganhar pouco então era uma ideia má, pouco importando que tenha sido concebida pelo PSD e aplicada pelo PS, porque de uma maneira ou de outra, quem perde sempre é o concelho.
Ora o que interessa são os ganhos do concelho e não os dos partidos.

Anónimo disse...

“Um homem que não arrisca nada pelas suas ideias, ou não tem ideias que valham... ou não vale como homem!”
Platão

Anónimo disse...

Lá está o eterno problema da garrafa meia-cheia e da garrafa meio-vazia

O maquinista do comboio insiste em que a garrafa está meia-vazia de virtudes e meia-cheia de defeitos. Na sua opinião, a garrafa nunca trará nada de bom…
O homem nasceu assim, céptico, pessimista, irrascível e, pelo que sinto, se algum dia vier a acreditar em alguma coisa, apenas acreditará em si próprio e mesmo assim ainda lhe restarão dúvidas…
Há pessoas assim, (e ainda bem) de contrário não era possível os optimistas reverem-se…
Parece ser uma luta perdida: “Quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita”…
Para seu bem, oxalá nunca venha morder a própria língua

Anónimo disse...

Seia tem tudo a ganhar com a sua integração no CHViseu sobretudo ganhar mais peso ainda na rápida execução do novo edificio hospitalar, cujo problema passa também agora a ser do CHViseu.

LS disse...

Em relação a "toda a verdade pode não ser verdade nenhuma" só tenho a dizer ao Nuno: Se efectivamente ficarmos sem o serviço de urgências e se efectivamente não for construido/remodelado o hospital, eu sou o primeiro a colocar aqui no meu blog em letras garrafais "O NUNO TINHA RAZÃO",caso contrário espero que faças o mesmo. Um abraço

Nuno Almeida disse...

Luís, isto não é um concurso entre quem ganha e quem perde, quem tem razão e quem a não tem.
Aliás, eu espero mesmo não ter razão nenhuma, sinal óbvio que os benefícios conquistados nã serão "vendidos" por tuta e meia.
Espero no fim dizer que tens razão, significa que todos ganhamos.
Só não me dão garantias disso.
Quanto ao mais, a cobardia do anonimato permite que os ignorantes digam aquilo que não têm coragem de dizer cara a cara, mesmo quando sabemos quem são esses anónimos.

LS disse...

Eu também acho que não há ninguém em Seia que não queira ver o novo edificio hospitalar ou mmesmo que não queira ver melhorado o serviço de urgências, e é preciso respeitar as ideias de cada um, nomeadamente dos que se identificam

Anónimo disse...

Caro Luís: haverá maneira de SE saber quantos pressupostos podem caber numa boa negociação?


Vamos reflectir no poema "IF" de Rudyard Kipling e saber SE são suficientes ou, pelo menos, SE conseguimos aprender alguma coisa...


SE...

Se consegues manter a calma quando à tua volta todos a perdem e te culpam por isso.

Se consegues ter confiança em ti
quando todos duvidam de ti e aceitas as suas dúvidas

Se consegues esperar sem te cansares por esperar ou caluniado não responderes com calúnias ou odiado não dares espaço ao ódio sem porém te fazeres demasiado bom ou falares cheio de conhecimentos

Se consegues sonhar sem fazeres dos sonhos teus mestres

Se consegues pensar sem fazeres dos pensamentos teus objectivos

Se consegues encontrar-te com o Triunfo e a Derrota e tratares esses dois impostores do mesmo modo

Se consegues suportar a escuta das verdades que dizes distorcidas pelos que te querem ver cair em armadilhas
ou encarar tudo aquilo pelo qual lutaste na vida ficar destruído
e reconstruíres tudo de novo com instrumentos gastos pelo tempo

Se consegues num único passo
arriscar tudo o que conquistaste
num lançamento de cara ou coroa,
perderes e recomeçares de novo
sem nunca suspirares palavras da tua perda.

Se consegues constringir o teu coração,nervos e força para te servirem na tua vez já depois de não existirem, e aguentares quando já nada tens em ti a não ser a vontade que te diz:
"Aguenta-te!"

Se consegues falar para multidões
e permaneceres com as tuas virtudes
ou andares entre reis e pobres
e agires naturalmente

Se nem inimigos ou amigos queridos
te conseguirem ofender

Se todas as pessoas contam contigo
mas nenhuma demasiado

Se consegues preencher cada minuto
dando valor a todos os segundos que passam
Tua é a Terra e tudo o que nela existe e mais ainda, tu serás um Homem, meu filho!...