15/07/2008

Entrevista com...Pedro Amaro

ENTREVISTA EXCLUSIVA

A análise à Freguesia de LORIGA

Luis Silva (LS) – O que o levou a criar um blogue?
Pedro Amaro (PA) - Criei o blogue com o intuito de divulgar Loriga e toda a região que a envolve em todas as vertentes. A matéria prima é a fotografia, e, a partir dela teço o meu comentário sobre acontecimentos, usos e costumes que considero relevantes nesta região, por outro lado dou bastante importância aos ecossistemas, mostrando a flora e a fauna que existem na encosta sudoeste da Serra Estrela. Por fim exploro a problemática da poluição denunciando actos lesivos feitos ao ambiente.

LS – Considera que o Concelho de Seia em geral e Loriga em particular é hoje mais divulgado a nível nacional e internacional devido á existência dos blogues que por cá proliferam?

PA - Os blogues aproximaram as pessoas e deram aos cibernautas a possibilidade de opinar e divulgar as potencialidades e os problemas da nossa região. O concelho de Seia e Loriga em particular, beneficiaram e continuam a beneficiar desta forma de comunicar, porque para além de haver blogues com muita qualidade a nossa região tem qualidade!

LS – O que faz falta no concelho de Seia?
PA -
concelho de Seia não é só a cidade de Seia, é toda uma região cheia de potencial que os autarcas concelhios fazem questão em esquecer, a maioria das freguesias foram esquecidas e as consequências estão aí: falta população, faltam postos de trabalho para fixar os jovens, faltam apoios à natalidade, faltam estações de tratamento de esgotos, faltam infra-estruturas desportivas. O concelho tem de ser visto como um todo porque só assim será possível crescer.

LS – Sendo uma região eminentemente turística o que faz falta á Serra da Estrela para de uma vez por todas ser vista como prioridade de investimentos nesta área?
PA - Já foi feita alguma coisa nesse sentido, no entanto a Serra ainda é sinónimo de neve, por sua vez neve é sinónimo de Turistrela que detém o monopólio turístico no Maciço Central, não havendo concorrentes não há diversificação, não há desenvolvimento. Temos de valorizar e dar a conhecer a nossa cultura, as nossas tradições, as pequenas aldeias e os rios que moldaram a Serra.

LS – Acha que faz falta um festival de música nesta região à imagem do que acontece nesta altura do ano noutras localidades?
PA - Para que um festival de música seja bem sucedido é necessário haver um elevado investimento e uma boa organização, bons organizadores acredito que haja, mas dinheiro… A câmara tem de organizar ou patrocinar eventos culturais mais pequenos, que não deixam de ser importantes.

LS - Ao nível político. Enquanto cidadão acha que o concelho está a ter o desenvolvimento que deve ter, ou, há mais para fazer e o quê?
PA -
Claro que não, veja-se o caso da Loriga onde actualmente habito: a população decresceu mais de 60% se a comparar com os anos sessenta, a taxa de natalidade é residual, as escolas fecharam ou têm poucos alunos, a maior parte das fábricas fecharam. Se nada for feito Loriga vai ser um grande aglomerado de casas abandonadas. O mesmo se passa com a maioria das nossas freguesias.

LS – Vem aí a FIAGRIS. Considera este modelo de FIAGRIS o mais adequado?
PA - Não ligo muito à FIAGRIS, no entanto parece-me que cada vez tem menos força económica e social.

LS – Como vê hoje a situação actual de Loriga no panorama local e concelhio?
PA - A situação é agonizante, os tempos de pujança já passaram, os jovens são poucos e são muitos os que têm mais de 65 anos, vai ser difícil inverter essa tendência. Loriga deixou de ter a importância que já teve, os votos são poucos…

LS – Por último. Quais os seus blogues de referência? Porquê?
PA -
Acompanho e leio os blogues da região em especial aqueles onde se escreve sobre o desenvolvimento sustentado da Serra da Estrela.

1 comentário:

João Carreira disse...

Caro Luís Silva,

Certamente que o que eu agora escrevo acontece a muitos mais. Tem sido muito interessante, estar seguir estas entrevistas. Hoje de manhã li a anterior, onde muito aprendi pois muito ignorava; e agora tive a curiosidade de espreitar por novidades e encontro um conterrâneo, amigo e também parente.
Estas entrevistas, excepto a minha, têm-me animado, surpreendido e ensinado. São uma lufada de ar fresco, nestes dias quentes.Muitos Parabéns pela feliz iniciativa.

Com estima e admiração,

João