24/12/2005

Um conto de Natal

Apetece-me escrever um conto de Natal. São meia noite e trinta e um. Não sei o que vai sair daqui.
Retocavam os sinos naquela terra gélida e montanhosa. Davam as doze badaladas. Joaquim, ansioso pela chegada do Pai Natal, já com as pestanas meio abertas, meio fechadas, lá ia vencendo o sono, ansioso pelas prendas para as quais tinha contribuido com o seu bom comportamento ao longo do ano. Ele sabia o que a mãe lhe dissera para fazer, caso contrário nada havia para Joaquim neste maravilhoso dia de Natal. Seu pai já dormia há mais de duas horas, tal como o seu irmão mais novo que não aguentou acordado pela chegada da meia noite. Joaquim, ergue-se do sofá e dirige-se à janela. A lua brilhava no imenso horizonte de montanhas. As estradas estavam brancas de tanto gêlo que as cobria, reluzindo com a luz que a lua reflectia. Ao longe a árvore de natal junto à igreja permanecia altiva e luzidia. Havia junto dela, um enorme clarão. Era a fogueira de Natal, tradição que levava à rua durante toda a noite aquela população que ali permanecia em companheirismo até de madrugada. No entanto, Joaquim gostava do que via, mas preferia estar em sua casa à espera que o Pai Natal lhe trouxesse aquilo que ele tanto lhe tinha pedido nos ultimos dois meses a esta parte. Olhava, voltava a olhar e só via estrelas, e a lua intensamente a brilhar naquela noite mágica. O sino voltava a tocar. Davam agora as três da madrugada. Com a cabecita no parapeito da janela, Joaquim tinha adormecido há mais de meia hora. Não aguentou a espera. Para uma criança de sete anos muito aguentou ele. Já a noite ia longa, Manuel, o seu pai, levantou-se, pegou nele e deitou-o na cama a seu lado até de manhã. Quando acordou, já o seu irmão António brincava com as prendas que o Pai Natal lhe tinha deixado no sapatinho e Joaquim correu à procura do que lhe tinha pedido. Desembrulhou uma prenda, outra, outra e mais outra e afinal tudo de bom lhe tinha trazido, mas aquilo que ele mais queria, o Pai Natal não lhe deixou. Correu para os braços do Pai, agarrou-o fortemente e em simultâneo as lágrimas caíram aos dois. Apesar dos sete anitos de idade, Joaquim já sentia a dôr, a dôr de quem tinha pedido ao Pai Natal que lhe trouxesse a mãe de volta, mãe que já não via há dois meses, mãe que já não lhe preparava o leitinho para ele e seu irmão beberem à noite antes de irem para a cama, mãe que já não lhe preparava a sacola para levar para a escola. A mãe de Joaquim tinha morrido há pouco tempo e ele sentia muito a sua falta e a tinha pedido de volta, ao Pai Natal. Aquele Natal, apesar do esforço que o Pai tinha feito para agradar a Joaquim e a António, era um Natal diferente porque era a primeira vez que o passavam sem a companhia da mãe.

O que pretendo com este conto de Natal, é relembrar todos aqueles que de uma forma ou outra, desprezam a sua familia não só no dia de natal como em todos os outros dias do ano, para que de uma vez por todas se consciencializem que a familia é o melhor bem que temos.
Desejo um FELIZ NATAL EM FAMÍLIA

2 comentários:

Bajoulo disse...

“Nos Natais os regimes Comunistas põe no sapatinho das criancinhas os cadáveres dos familiares, enquanto que no Ocidente Livre os sapatinhos estão recheados de bens de consumo e brinquedos “. – Quitéria Barbuda in “Natal Livre”, Revista “Espírito”, nº 23, 2005.

www.riapa.pt.to

canzoada disse...

Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo e que consigam avistar a retoma que Durão Barroso, Manuela Ferreira Leite, Santana Lopes, Bagão Félix e Luis Delgado não se cansaram de anunciar durante todo o ano passado e que ainda não chegou!